MySpace
     Rodrigo Bueno
     Renata Simões
     Xico Sá
     Carol Ramos
     João Wainer
     Marcos Vilas Boas
     Felipe Morozini
     Viuva Porcina
     Bárbara Eugênia
     Gustavo Guimarães
     Tato Zonzini
     Lelena César
     Bianca Barbato
     Caco Ishak
     Fernão Ciampa
     Sérgio Vaz
     Agência Cartaz
     Ronaldo Bressane
     Guaciara
     Choque Cultural
     Radiola Urbana
     Selo Instituto
     Lost Art
     Laborg
     Embolex
     Zeitgeist, o filme
     camilesproess@gmail.com





    Desconstruir a Existência


    A Jangada

     

    Refugia-te, meu amigo, em tua solidão. Vejo-te aturdido pelo ruído dos grandes homens e crivado pelos aguilhões dos pequenos. 

     

    Dignamente, contigo, sabem calar os bosques e as penhas. Assemelha-te de novo à tua árvore,  à árvore de ampla ramagem, que escuta silenciosa, suspensa acima do mar. 

     

    (Friedrich Nietzche em Assim Falava Zaratustra)

     

     

    Com dor dores o despertar, e com ele a despedida da própria vida, a vida usada feito papel sulfite nas mãos de crianças apressadas, acossadas pelo tempo curto demais dos vivos, aqui se nasce aqui se morre, he boi he boi, toca pra lá a solidão digna dessas moscas de chuveiro, seja isso aquilo outro, seja aquilo outro isso, mas faça uso da falta de memória, utilitária e única falta de memória dos que por aqui passam rastejantes, enganados por si próprios, mas o não lembrar é perder, esgotar a possibilidade de algum dia assumir e enfim crescer, ir embora, mudarse de planeta, sarapatear nalgum colorido assim brilhante, sem tanta carne, sapatos, chuveiros, companheiros tão passageiros, o galanteio é sim um pouco triste, deixa você assim, com cara de boboquinha, prefiro essa falta de saber, o amor deve vir de lá, da escuridade do um no outro, do nãosou nãosei masvou, simples como boiar no mar, deixarse levar, rumo aos raios de sol que te seguem e na água te fazem único, da necessidade de ser exclusivo pra ser dois de verdade na terra, sou só tua, só tua, empodera e legitima e assegura e pacifica e enfim tem que ser assim, é bom que seja senão não há lutas, lutas de amor na madrugada, gritos na escada, a condição atrapalhada de estar tão junto e poder falar, falar tudo, e assim nos proteger do mundo, dividir o peso largo e profundo dos dias que nascem e morrem em ciclo vicioso na cidade grande tão sem fim nem esperanças, onde se separa o joio do trigo e o que resta é dormir e rezar para as contas atrasarem, as baratas não chegarem aos pés da cama nossa cama vermelha nossa vida de tentativas e a tristeza quando chega vem acompanhada, você dorme e eu muda me pergunto afinal por que viemos?

     

    fico sem resposta.

     

    O dia nasce, somos aquela jangada em constante reforma.

     

    E o mar nos espera.

     

    Brian Eno - By This River

     

     

     



    Escrito por Camile Spring às 01h58
    [ envie esta mensagem ] [ ]



    [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]