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    Desconstruir a Existência


    Kaijyuu

    Nós perdemos sempre. O indivíduo humano será sempre essa região amaldiçoada em que não é exatamente que ninguém consiga penetrar, mas em que toda exploração é imperfeita, incompleta. E por isso deformadora. Até para o indivíduo mesmo. É o signo da maldição. 

    (Mário de Andrade em Cartas a um Jovem Escritor)

     

     

    Em teu pesadelo é que me acho. 

    Na temperatura extrema do teu centro é que queimo, sempre só, sempre urgente. Pestilento ir sem volta, jamais seremos dois, jamais estaremos inteiros. E com teus olhos nada sou que não seja medo, pavor, redoma. Sou eu tua redoma. Sou eu quem desperta teu negrume, pelo canal do meio, sou eu teu escravo escravocrata. Sou eu quem enxerga teu viés enviesado, te mato com os olhos, te afogo com meu sexo

     

    mas despertamos sempre,

    entre flores brancas e o encantamento com a comida, carne na carne, carne crua alho vinho. Neste tempo de guardar o sono de quem não carece de guardião, tempo de estar sozinho junto, escalando montes invisíveis, na queda destrutiva dos monstros submersos, os monstros somos nós, os nós de sempre, que encalacram e dizimam possibilidades outras, os nós antigos de marujo enveredados por outras partes, partes de um corpo alheio interligado, prostrado, à disposição. Um corpo rígido, mais delicado que um caído, um corpo sem desvio de atenções, manobras, memórias. 

     

    O passado não passou e jamais passará, mas se transmigra a todo instante; nos transforma em pássaros leves mais perto da morte, em bestas selvagens ávidas por qualquer desespero, em troncos queimados, pendidos em alguma montanha aos pés de um cego. Nos transforma no que ninguém vê, no limiar da região amaldiçoada um do outro sempre, cruzados, malditos. Já não existe proteção, mas a pequena ilusão de que somos livres tão juntos, de que somos fortes. 

     

    Já não existe o que não seja nós.

     

     

     

     

    Mirois - III. Une barque sur l'ocean / Ravel

     



    Escrito por Camile Spring às 17h52
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