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    Desconstruir a Existência


    Cromotons ante monotons

    Terminado o discurso, o visitante fez um gracioso e encantador rapapé com o seu pé calçado de elegantíssima botina de verniz, abotoada com botões de madrepérola, e, não obstante a robustez do seu corpo, imediatamente recuou um pouco, com a leveza elástica de uma bola de borracha. 

    (Nikolai Gogol em Almas Mortas)

     

     

     

    Desde o começo

    e me perdi, deve ser simples, acordar e levantar como fazem, todos que não levantam caem? O infinito é, enfim, o que não tem começo, não é coisa assim destas bandas, bandas do hemisfério inferior da bola ou mesmo do superior, como assim demarcaram alguéns, o veneno não pode ficar guardado, bem sei, tem logo que ser usado. Que fique claro, aquele que melhor sabe iludir-se a si próprio é o que melhor vive, sozinho ou com corpos espectrais, em declive com a cabeça pendida para qualquer lado, dá igual: izquierda, derecha, volver. Nada além dessas pequenas imagens que se formam dentro de nós por desejo ou preconceito, ninguém conhece ninguém, mas cria. Desde o começo.

     

    Enganamos-nos em nossos empreendimentos 

    É a coisa que estamos sujeitos

    pela manhã faço projetos

    E tolices o dia inteiro*

     

    E some, no desespero por qualquer conhecido canto onde o conforto preste como doença, some em algum ser humano que proporcione segurança como doença, em alguns casos sem mal estar, apenas monotons, íons descarregados, cantos nulos em paredes descascadas ou recém pintadas, tantofaz; coisas velhas, obviamente, guardam sempre muito mais. E some, na moléstia da retórica cotidiana nos cafundós das gentes, o EU CONTRA EU mais puro agora em doloridos pulmões, fins de festa, insetos que te mordem na cama. Insetos. Que se arrastam por um dia em sua complacência natural com a vida, complacência essa  altamente questionável, mas ancestral, bucólica. E questionar ainda é viver, com ou sem motivos sentimentais, a destruição se faz caminho quando o peso serve ao mais profundo desapego, objetos que estão aqui mas jamais serão meus, porque são um monte de lixo, e por isso se quebram sempre, se perdem. Como os seres humanos; carne que alimenta carne com o intuito de um dia ser verme que alimenta verme. 

     

    Que gran pesimista eres.

    Y si, pero mientras tanto, entre carne e verme há o susto, o amor, o whisky, as notas individuantes, o mar, as matas, as montanhas, sorvete, cerveja, ovelhas, cavalos, o vento. Música. Churrascos e enterros, família. Livros e tardes chuvosas, mantas quentes, samba. Chimenea. Futebol, aguardiente, moças e pernocas. Há o México, o sol, as formigas. O filme e o x-salada na cama, as ressacas. As belas mãos dos homens, a juventude. As vacas, as quedas d'água, o passado. Las ventanas abiertas, las hojas coloridas de los árboles gigantes, niños, perros y playas. 

     

    Si que hay. 

     

     

    *Voltaire em Zadig ou O Destino

     

     


     



    Escrito por Camile Spring às 05h29
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