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    Desconstruir a Existência


    Suspensão animada

    De otro tiempo (...) Tiempo que sólo existirá en la reconstrucción de la memória aislada, en el vuelo del deseo aislado, perdido una vez que la posibilidad de vivir se agote, encarnado en este ser singular que eres tu, un niño, ya un viejo moribundo, que ligas en una ceremonia misteriosa, esta noche, a los pequeños insectos que se encaraman por las rocas de la vertiente y a los inmensos astros que giran en silencio sobre el fondo infinito del espacio... 

    (Carlos Fuentes en La Muerte de Artemio Cruz)

     

     

    Levante-se por debaixo, 

    deslizante, sem que os homens dormentes do corpo possam despertar. Vire-se de lado, na espreita de um silêncio maior que o escuro da água. Despegue o vestido, sinta o frio invadir costelas e mamilos, não se mova. É a fragilidade extraordinária da carne no frio, a pele crispada, os pêlos acordados; a indignação total do corpo. 

     

    Mas é tempo de trégua o tempo de bar, gin com limão de pijamas, dois dias sem lavar-se a coluna, a cona. A falta de enxergar o corpo nu, sem-cus de capuz na rua, na névoa da escadaria sem troncos, solas, bundas. Sumir é inevitável, a mão fria que não escreve e não penetra a calcinha, a mão morta. Ausência na cabeça, ausência no coração, a vida em total suspensão na conclusão do primeiro quarto de século. Solidão animada solidão, as garrafas vazias no canto da cozinha, os corpos abraçados aos pés da montanha em alguma gaveta da memória. Neve, muita neve, apesar de não haver enxergado os desenhos dos flocos como disse minha irmã. Cada floco tem um desenho específico, mas eu não enxergo o que você enxerga, eu enxergo pontos finais e linhas curvas em lugar desses rostos, desses encostos que dançam pra não chorar e rezam pensando em mentiras. Fico menos, deixo de cuspir na cara dos outros de uma vez por todas, peço desculpas,

     

    lo siento mucho pero soy un animal,

     

    vivo animal, escuro que pertence aos montes altos de alguma tempestade. Soy caballo, criança, piano. Quero muito a todos os patos do mundo, quero às vibrações dos cegos e aos sons curtos e desformes dos mudos. Quero aos orifícios dos homens no momento da mais grandiosa ereção, beijar molhado a boca na hora da penetração, abrir feridas. Ser completamente rompida por um só homem para o resto da vida, 

     

    caminhar como caminham vagarosos os elefantes hacia la muerte.

     

    Satie - Gnossienne:1.Lent

     

     

     

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    Escrito por Camile Spring às 17h49
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