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    Desconstruir a Existência


    Insalubre, o amor eterno

    Nos tornaremos amigos, porque eu já começo a sentir necessidade de lhe dar um soco no nariz. É melhor que saiba que não posso sentir a amizade sem dar socos. Temos que brigar de vez em quando e arrebentarmos as nossas cabeças - está ouvindo? Este é o significado do amor.  (Nikos Kazantzakis em Testamento para El Greco)


    Quando levanto, tudo levanta.

    Sou uma árvore que dorme pesado e abriga velhas senhoras abandonadas, cravadas por entre raízes grossas, permanentes. Ossários, santuários, jardins: nada além de lugares como estes, vazios de gentes, onde os olhos repousam nublados para se saberem cheios de vida nos fundilhos, perto da morte, quando sorriem aliviados. Ali, os pais figuram a parte mais triste da vida, mesmo na alegria; não é de se entender como geramos e somos gerados. Nada, nem a psicanálise, nem Albert Camus ou Ernst Becker, podem aliviar a aflição desse absurdo.

     

    No fim, o que mais dói é a saudade da juventude dos pais. As lágrimas derradeiras caem dali, do lugar que nossos pais ocupavam antes de cometerem o ato vulnerável de nos gerar. Somos extensões do que eles eram quando livres, sem culpa; extensões inconscientes do que deixaram para trás em nome do que os pais deles deixaram para trás e assim por diante. E no fim, somos todos crianças de novo.  


    Não se pode estar limpo e amar ao mesmo tempo, amantes são enfermos e sua secreção também jorra inesgotavelmente até o exaurir da vida, até o fundo secreto da carne amordaçada pelas duas partes uma na outra e germes sim se espalham e dizem sim sorrindo em sua sujeira sem nojo, el rojo que adentra las mujeres sin cesar, a escuridade úmida do atar-se arrancar-se golpear-se ao orgasmo nuclear que deixa os interiores humanos desabitados por alguns instantes, vagueabundos por estados invisíveis do sol, deixando-se programar dejavus sonhos vigílias lágrimas e outras mágicas condições efêmeras condições que se esvaem como qualquer papel queimando mas ficam 


    lá dentro 

    guardadas.  


    Mesmo que o tempo seja uma esponja 

    e apague


    alguém há de ser sua extensão.

     

     

     

    Zbigniew Preisner - II Dekalog

     

     

     

    img// Camile Sproesser



    Escrito por Camile Spring às 21h38
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