MySpace
     Rodrigo Bueno
     Renata Simões
     Xico Sá
     Carol Ramos
     João Wainer
     Marcos Vilas Boas
     Felipe Morozini
     Viuva Porcina
     Bárbara Eugênia
     Gustavo Guimarães
     Tato Zonzini
     Lelena César
     Bianca Barbato
     Caco Ishak
     Fernão Ciampa
     Sérgio Vaz
     Agência Cartaz
     Ronaldo Bressane
     Guaciara
     Choque Cultural
     Radiola Urbana
     Selo Instituto
     Lost Art
     Laborg
     Embolex
     Zeitgeist, o filme
     camilesproess@gmail.com





    Desconstruir a Existência


    Súcubo e Íncubo

    O melhor modo de despistar é dizer a verdade. 

    (Clarice Lispector em Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres)

     

     

     

    Ao lado desse rio corre um homem negro nu navegante. Um negro velho do vento que sopra aos espaços abandonados dentro das pessoas vivas na terra. Aperta o gatilho e dispara, o cego, um Cérbero no mundo dos mortais, como faz? Como faz com a palidez dos dias frios desse verão? O olho da rua alagado por lágrimas das nuvens, ruas desertas imersas na neblina do colorido verão brasileiro. As gentes estocadas por entre andares de prédios, os tijolos de Moema são mesmo o puro tédio. Como faz com a acefalia do populacho consumista, a cor terrosa nas espingardas seixo-cubistas? E a tremenda falta de água digno-banhável nos parques de São Paulo? 

     

    E com a espetacularização da queda de iguanas congeladas, centenas delas, do cimo das árvores da Flórida, comofaz? 

     

    É carnaval, e os assassinos nesta época sorriem quando se entregam. E dizem, tremendo tensos de prazer, por que, pois, deveria eu não fazê-lo? Erros são acertos invisíveis a longo prazo, em outro plano; no único que importa. O resto é resto, o resto é má vontade gangrenada no peito de moças velhas de mágoa. A cerração, escuridão causada por nevoeiro ou acumulação de nuvens na fala, na voz, na alma de algumas mulheres é sintoma do mais repugnante processo de autovitimização.

     

    Mil veces la puta asumida a la ofendida. 

     

    É carnaval, e as mulheres nesta época esquecem quando se entregam. É época de esquecer. E queimar as placas enferrujadas que sinalizam reformas jamais reformadas, deixar agir substâncias puras y naturales bajo la lluvia, en silêncio. Repetir sempre as mesmas cenas do Último Tango em Paris, rewind rewind rewind. Nós, crianças; nós, que choramos de janela aberta para que venha o vento aliviar enfim nossas deserções.   

     

    L'amour c'est pas pop.


     



    img/Camile Sproesser

     



    Escrito por Camile Spring às 03h09
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]