Alopécia, o revés

Lágrimas se lhe cortam os olhos, qual vista de nuvem chorosa, chuvosa sob cascos caldeiras corrimãos, o cheiro de madeira e mijo de gato em escura sala e silêncio, as escadas que rebentam no vento, no mais alto degrau da poeira que avoavoa e se desfaz aos pés de um senhor qualquer sentado em calçada quebrada, chumbada, esguia, o vórtice teu, o meu, sobreviventes fios de cabelos pendidos ao cume do crânio do velho, pocilgas pocilguentas sob as dobras, sob sobre, o saco de carne se arrasta de volta ao quarto, durmador dorme amor, te calas as vozes de dentro, és rubro sofrimento, és vaga, vagueias os pés nus em nós grossos de carne, cordões umbilicóides nos extremos deste leito, tateio ventres pestilentos, faço-me viva o entre-pernas as coxas macias, rosanegra beleza de pêlos cravados como rubis tortos rubis: a carne de dentro, as omoplatas MIRACULO omoplatas, as patas dos seios, as costas dos cheiros, o grito seco na goela grugulhenta o gomo molemolenga, seule comme ça, diz-se que foi passear, largou cão, patrão, a perdição de se estar entre o farfalhar de espelhos que nada luzem que não sombravultos rodapios em salto alto, o branco nas palavras de culpa, desculpa sei não, quem vê culpa que a carregue com os olhos, se le dá se le lê, quem de longe não se vê, o furor no espaço aberto, onde o ar cheira a víscera polvilhada de ceifado ouro e cego o verme das noites, mulher-verme que alimenta verme, no pós, donde te foste a alma pericular, caminhoar, coze o olho do colhão do touro e mete-o dentro de ti, scherzos e fugas, frugais frutas que pegas e amarfanhas por entre os que são chamados dedos, e assim sabes tua vida, amarfanhada por entre sobre, lasca de gorda rocha, liláses dizeres comolhechamas venha-te ler sobre meus ombros, não ainda não, me faço solidão solípse chamejante, ofego com lama entre os dedos dos pés, corro rouco, enrouquibrilhos em fios de choupos alagados, caracóis serpenteiam o rebolar dos patos, faço-me gota na terra, quedo-me argêntea sucção em raras tetas de loba silente, desaguilhoada, de esguelha o movimento despacio, terno voraz, coração a rebentar-lhe no peito, alopecia ao revés, se lhe crescem os cabelos curtos como parasitas, disseminam-se pintas na pele empalada, dorme a montanha solar espargida em disformes. img// camilesproesser
Escrito por Camile Spring às 02h40
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