La Ursa
A juntar os sulcos dos sonhos e encher o açude se for por você, e as pontes da juventude, de Algodões pra Carneiros, carne dendê, que o homem foi feito direito como fosse pra ser, e o homem de partida na curva da vida, ele vê, sabe que a moça vai fundo vai fundo vai fundo vai fundo se for por você, e tapar os buracos do mundo se for pra não ver, o caminho não é sozinho, mesmo quando há de esconder. São os coqueiros estelares de uma fotografia antiga no teto do quarto, a rede aberta no contorno das coxas preguiçosas e esticadas em direção ao mar tranqüilo em tempestade. Barulhentas, eis que as folhas imitam a chuva no mundo dos sonhos e das lembranças fresquinhas, fartas de festas fantásticas ao pé do ouvido.

Monstrinha ao teu dispor, assim se acompanhas o bicho solto de uma gaiola estilhaçada pelas veredas verdejantes de uma vida vulgarmente feliz, vez por outra feia, feia feliz, com as graças de poder ignorar a conotação francesa de felicidade. Digamos não ser este o estado de espírito para cavalgarmos toda noite por uma estrada colorida, usar os beijos como açoite, sem te perder de madrugada pra encontrar no meu abraço. Ei, como a madrugada, deite no meu cansaço sem se importar com os doces labores notívagos da carne, mais uma vez, venha cá. Estes braços pintados me bastam quando descansam enlaçados a esta cintura silenciosa... E sei de rodas gigantes multicoloridas em povoados remotos dentro do peito, vi gigantes girando dentro de mim como dervishes de saia de chita, eu sóbria, eu de olhos bem fechados. Mais uma vez cai sem roupas na água, fui afogada de tanto rir nas águas do Pina, e digo mais. O bairro de Afogados, zona sul de Recife, abriga um casal de namorados juntos há catorze anos, que possui como quem coça a mão esquerda, um carrinho vermelho de cachorro-quente, e Fátima/Rose ou Cremilda sorri leve com a certeza azul do amanhã ao lado de Antoine, que olha pro mar e arruma a gavetinha do milho. Neste momento, o disc-jocker de cuecas, mãos enormes, drinks coloridos e disposição pra se perder entre a água, as ondas e meus ombros, pisca devagarinho. Pega minha mão e me leva pro fundo. No entanto sabemos, em Recife não podemos ir muito longe, mesmo dentro d’água ou ainda mais dentro d’água. Mas fomos, sempre vamos. Asi como la macorina, ponme la mano aqui macorina, que me muero, ponme la mano aqui macorina, que estoy loco en el água de tus brazos, que me muero em ti. (suspiros) (suspiros)
Da ladeira da Misericórdia sambando em Olinda às terras ermas dos lençóis zebrados cor-de-rosa desta cama, água gelada, ora Clara Nunes, ora Chavela Vargas, ora Edu Lobo e Tom Jobim. Ao lado, duas vastas edições de Calvin e Hobbes e os volumes bukowskianos Ereções, Ejaculações e Exibicionismos. Cá jaz a volta, após me levar passear ao longo dos últimos 5 anos, e por outras estradas a encontrar a vida. Sono, imaginação, labuta e muito descanso nos próximos.
Img//Souther Salazar
Escrito por Camile Spring às 01h51
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