Bamba Bebê
Desde o carrossel secreto por onde giram pensamentos codificados entre pequenas nuvens lilás, onde me sentei e vi de binóculos outro dia, são inúmeros os insignes que flutuam na vista em telas úmidas e sem fim de olhos castanhos demais. E a argúcia enfant il confunde o amor prático, embora sejam as proezas laborais as maiores prejudicadas pelo que chamam inteligência.
Serei eu então uma pseudo-astronauta com vontades móveis rodopiarias em pequenos planetinhas escondidos, jamais imaginados pelo prepotente batente destes homenzinhos que acreditam em realidades tão certas encaixotadas na medida de alfaiataria. Tediozinho. Vou-me embora pular corda em saturno, onde é sempre saturdei, bamboleio bamboleia porche’ mi vida iola prefie’ vivir asi, rebolante gipsy queen, movida de anéis coloridos na cintura inquieta.

Desistem da descontinuação dos deveres, desistem desta dura demanda dos débitos débitos, correspondências. Multas, cheques, caixas, ratinhos eternamente famintos que rangem dentes de ouro, podres, por detrás de barulhentas máquinas registradoras, João e o Pé de Feijão. Perdoa o descuido, mãe florzinha, mas os atos do inconsciente vivo semi-anárquico infantil e muito inconseqüente sussuram que “uma multa fechada é mais legal que uma multa aberta”, daí a incapacidade brutal de abrir qualquer espécime de papel dobrado que invade a soleira de casa, sorrateiramente, com números que não reconheço e palavras que nunca dizem nada de interessante. Chatice cotidiana, as correspondências. Mas relax, a certeza de qualquer crença incerteza trará, é claro que não. O velhinho que molhava plantas mortas nas manhãs de agosto de 1985, mãe, na crueza da urbe invernal, vive sozinho nestes dias quentes, mortas, plantas secas e molhadas pela esperança de ocupar um espaço fragmentado nas esquinas da alma um velhinho longe, protegido das mágoas por um guarda-chuva mágico. Tragédia nada, a tragédia é acreditar em plástico, gentes em série, fabricadas passo a passo pela maquinaria quebrada dos veículos e seus pequenos endiplomados com clamor. No momento, ela caminha indor fora da casinha, muito quieta, dentro e aberta para o universo imaginário das cores e dos quereres. Pensa em estrutura, sem a mínima. Olha pra cima, nunca se irrita. Eis os Dias de glória, mesmo com o estômago latindo, mesmo com a cobradora consciência das coisas normais, e logo, das muito anormais, mesmo óbvio que isso tudo não existe. 13 dias para o carnaval.
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Escrito por Camile Spring às 04h49
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