A pomba
A sombra das muralhas cinzentas que resguardam esta passagem se refletiu entre (the!) pernas abertas numa manhã ensolarada, vide solidão desconcentrada. Como diz o amigo das baquetas, mulheres vulgares são indistintamente insossas; te mordem o braço, te puxam a camisa, te lambem o queixo, sem nem ao menos mais despertar o instante em que os sonhos, misturados aos cabelos tortos de menina-cão, se curvam distantes sob o peito silencioso de um homem perdido, mas sincero. A água há de correr morninha pelos canos sujos por onde deslizaste nestas férias, tu, moleque, não és a Tieta do Agreste – nem mesmo quando em solo tupiniquim arrebata o coroné. E ainda que a mentira dita se sobreponha à verdade vista pelas costas, a menina dança, e dentro da menina, ainda dança, e se você fecha o olho, a menina ainda dança.
Até o sol raiar - até o sol raiar.

Pois resulta que as rezingas a propósito de minhas palavras padecerem sob linhas duras demais dizem demais sobre os demais, nesta repeticção, sucção, abolicção de pensamentos lacrados, decodificados intransferivelmente por aqueles que de alguma forma já passearam nesta montanha russa que respira, e vos diz. Por toda ela quebrável, a estrutura de ossos banhados em sangue exposto aos vampirescos se encontra hoje fechada pra balanço. Pelo que restou na cachola sóbria de mulher lombrada, nos foi guardado um espasmo tímido de quem começou a refeição devorando os talheres. Que dirá F.Couto, ponha meus pés no chão à força mi hermana, e taque merda na cruz da intimidade – que depois nóis come pastér morreno de rir, mylordy. E mesmo na discórdia dos fatos reais fidedignos de tão amalucada noites-quentes, fiquei até o fim. Esperei por uma pomba em pose de rato, lapso de memória, nós, lado a lado, monstros do dilúculo urbano desbotado do céu de Sampow pow pow.
Img//Eric Bailey
Escrito por Camile Spring às 04h30
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