
Foram as palavras presas entre dentes cerrados e duros de príncipe bandido que caiu do castelo enquanto cavalgava a vida em frívolas veredas. Foram as rédeas completamente soltas de um touro que jamais, nem por um instante, se deixou montar. Nem mesmo em sonhos. Foram as pernas cálidas e macias jogadas ao céu cor-de-rosa de um típico amanhecer em Olinda com suas brisas entorpecentes, quando bem-te-vis, periquitos e pintassilgos cantam a fortuna dos instantes à beira mar. Foram os olhos mágicos de um homem-porta, que chegou, se abriu e jogou a corda salva-vidas para meu resgate no barulhento liquidificador da existência. Foram magistrais as projeções de dois corpos como se fossem apenas um, obra-de-arte das luzes de vela na parede minimalista de tijolo sem janelas dum quartinho-foguete na Rua do Sol, Carmo. Foram as horas contadas à risca do sol de todos os sertões dentro de mim, foram os saltos ornamentais num mar quente de vontades, foram os lábios, as costas, os ossos, os cachos, o pau, o dedo e o desconcerto dos quadris atrelados como origami na aurora da Rua da Aurora. A ti, Manuel Quadrado, profeta, criança, utopia, boa sorte na estrada de pedras nobres e penosas que indicaste a mim.