Desvarios
Desde onde o galo canta mais alto e as mulheres, belas mulheres, andam em bando. Não há descaso, nem um caso, nem descanso. São estes corredores de ladrilho dourado que derretem como sobremesa de criança no mar perigoso, arredio. Sungas verdes e azuis na descoberta dos pêlos grossos, biquínis desbotados enfiados no rabo, rebolado. O grito surdo embaixo d’agua, revoada de urubus de prata, que espantados por tigres asiáticos morrem de dor e asco da própria sombra num céu sufocado de armadilhas. Ali é possível sentir o cheiro das risadas altas e amarguradas pelo abandono tosco de quem não sabe onde está, mas paga. Paga caro e não leva nada.

Que vá, velho Renato, enfim somos palhaços embriagados em busca do pão seco, empoeirado pela lágrimas desérticas do coração. Que venha, minha criança, enfim somos bruscos e brutos como quem nega fogo e treme de medo quando a fogueira está prestes a apagar. Nossas névoas encobrem as trevas quentes da verdade, eis nublados nossos melhores dias, meu extraordinário homem. Meu cubo-mágico em preto e branco, permita-me ficar nesta leseira fresca que cala nossas siestas atmosféricas dos finais de semana . É grande meu sorriso, sabemos, tão grande quanto arriscado, assim como notáveis os dias que enlouqueço e te odeio baixinho, como uma prece de quem já te bem conhece e te guarda feliz nas horas trôpegas de seu sono molhado. Aperreado em meus braços de menina sonolenta e distante. Um brinde. Um brinde ás negas termais que campeiam paranóicas, na cólera do balanço das ondas que escondem tubarões martelo por entre as coxas. Bebamos mais, mais pelas belas e risonhas, ardentes donas de casa enfiadas no shortinho jeans, poesia por entre becos e ecos solos de cada palavra refletida no olhar tristonho e selvagem de cavalo solto no anoitecer de uma montanha flutuante e grande demais.
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Escrito por Camile Spring às 03h13
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