
Estarão as espadas nos lixos, nas sujas padieiras do sistema falho, eletrocutado por mil mentiras. É difícil despertar, e porque não fomos longe o suficiente pra saber o quão difícil é. Estarão os ruídos dos caminhões e das furadeiras frenéticas das construções unidas por la maldita plata, e onde no hay plata, habrá sonido? Estarão as raízes de fato cortadas por lenhadores engravatados, atados, trancafiados. Estarão as máquinas pregadas às costas da modernidade feito a cruz pudica da religião, jaulas cibernéticas neon, cadeados nos lábios destes jovens curumins. Estarão estas criaturas para sempre aprisionadas pelas correntes de uma realidade vaga, transtornada pelas câmeras de gás da televisão leprosa. Estarão fuertes as velhas comadres chamadas Verdade e Mentira unidas por um plano linear cego com as rédeas eternas da humanidade, elas riem e tomam porres sem ressaca. Estarão mais perdidas aqueles que caem na vida heroicamente pelos buracos da dor ou os que sobem na vida pelo elevador capenga na muleta das firmas que fodem coa existência. Estarão as faces fecais do poder submersas eternamente nos nossos lares e banheiros, os bueiros deste país exalam cheiro de sangue. Estarão las verdadeiras guerreiras adormecidas num breu dourado à espera de um príncipe encantado babão, montado num cavalo morto, feliz dia dos namorados. Estarão os olhos de uma nação inteira cansados e descrentes a ponto de cegar no abismo quente de um vulcão condicionado a explodir apenas quando tu acordar.