Do amor e sua cara feia
De onde o amor mostra sua cara feia, dos lugares mais impuros, dos supermercados, das estradas de terra longas e sem fim. Das espaçonaves, dos bueiros e tinturarias. Dos armazéns fantasmas, do tom vermelho no casaco surrado das putas nas lavanderias. Da bola que rola numa tarde movimentada na favela do Sabão, do cheiro de churrasco grego no centro de Guarapari. Das locadoras pequenas, dos bares semi-fechados e improváveis, contrafluxo da obviedade platônica virtual instantânea de microondas, pipoca murcha no leito de lástimas lânguidas e obscuras. De amar, vestir a meia pela metade completamente rasgada e imprestável, calçar o tênis e levantar sorrindo. De amar, esquecer de pagar as contas, levar todas as multas possíveis em apenas um mês. De largar o casaco, de dançar descalça no asfalto, tomar chuva sem pegar resfriado. De acreditar que é ponte, quando é escorpião. De dar tudo, tudo errado, de cair no buraco. De amar, cair num longo breu e engolir o choro sem saber onde dói só pra não acordar quem dorme tranqüilo nos confins do coração. De amar. De dar. De ar. D r.
De deixar de amar, o sinal, a incompreensão dos xiliques. Apenas, pular a porteira da arena, deixar o touro lá dentro, vestir o chapéu de caubói e cavalgar pela vida bandida, cabelos ao vento.
Escrito por Camile Spring às 19h51
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