Gansa cega e sua vida vazia
A coluna da Bárbara Gancia publicada na última sexta-feira pela Folha de S.Paulo, que possui uma circulação total de nove milhões trezentos e três mil e cinqüenta e cinco exemplares, não é agressiva e muito menos ameaçadora. Muito pelo contrário, é ignorante, mas representa o pensamento da elite brasileira mimada no mais profundo dos níveis. Sem a mínima noção de rua, Lady Gansa perde a linha e chama “Cultura de Bacilos” o dia-dia da periferia, o rap, o grafite, a dança e todas as outras formas de entretenimento de quem tem que inventar a vida pra sobreviver. O país simplesmente NÃO FUNCIONA e vem uma “senhoura” da mais alta sociedade que sofre de acefalia aristocrática dizer que hip hop representa o mesmo que o axé e a boquinha da garrafa.

Muita calma nessa hora, em certo nível os gêneros se encontram pela popularidade, o forró, o samba e o axé são populares, assim como o rap, eles estão nas ruas. Mas o que eles representam na sociedade é muito diferente, inclusive porque o berço do hip hop é a contracultura, ou seja, é um movimento enraizado na crítica social. Os elementos de expressão, como o grafite, o break, as rimas, são subversivos, espontâneos. Exatamente para ir contra a mentalidade banal e catatônica de gente como essa anta que assina uma coluna num jornal interesseiro de sempre. É óbvio. E o que é aquela seção “Bárbara Responde” na Revista da Folha, minha gente? É A MAIOR FALTA DE RESPEITO COM OS LEITORES, achar que a gente é palhaço e tem que saber o que se passa pela cabeça transtornada de uma miliona-mimada-do-papai. Mandas muito mal, minha nega!
Além do mais, Gansa cita que o movimento não é criação nossa porque nasceu em guetos estadunidenses. E daí? O rap brasileiro nasceu onde? Os meninos grafiteiros fodidos que tão ganhando o mundo por aí nasceram onde? E que lindo ver os preconceitos ao contrário dessa elite burra pra caralho, como se pobre não pudesse se influenciar por movimentos gringos e criar uma identidade própria, pff.
Gansa menciona ainda o tráfico de drogas e os “gênios musicais” ligados a ele. Minha fia, o dia que tu pisar no chão e cair na rua pra ver o que acontece, muito talvez você consiga entender os problemas enfrentados por quem ganha R$ 424,88 ou menos, ou nada. O dinheiro que tu gasta pra peidar alimenta seis nego durante 30 dias, ou deveria alimentar. O buraco é láaaaa embaixão, ou você pensa que os manos amam roubar, matar e traficar drogas? Muito pior são esses políticos coleguinhas teus, os verdadeiros traficantes assassinos da nação. Acorda!
Pra fechar com chave de ouro, a rapariga diz: “Alô, ministro Gil! Não seria mais produtivo ministrar nas favelas um curso de um único livro de Machado de Assis ou Guimarães Rosa, do que dar força para a molecada virar uma paródia de Snoop Doggy Dogg?”
Seria lindo ministrar um curso de Machado e Guimarães Rosa o dia em que os estudantes públicos tiverem condições suficientes para aprender a pensar, ler e escrever livremente, o dia em que a preocupação for a formação dos cidadãos e não o avião ou o curso bastardo na Casa do Saber, sua DASL.USP. Parece simples, né? Mais respeito por uma realidade que não é a tua.
Música Salva Vidas.
Escrito por Camile Spring às 18h40
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