Buiê

Ô buiê, fecha teus olhinhos, assim como quem se demite dessa vida besta, descartável como cadáveres no poço. Essas facas na pedra, a cavalaria, São Jorge e sua espada empunhada entre ossos roídos pelo vingador. Heroína execrada, nazista em corpo de rainha. Calo a boca, depois de incansáveis rolês por tua alma, irmãozinho. Calo a boca, antes que eu te mate pela insistência de pintar tua vida, pretensão de agulha em ferida. Calo a boca, para gritar a dor de fora pra dentro, dor tua, ecoada nas paredes que holográficas nos miram.
Ô buiê, tu também. Quero-te longe do indício de qualquer lamento mexicano. Quero-te nó de marinheiro que me libertou no oceano, sozinha e sem ilusões. Quero-te como flor aprisionada em garrafa de cerveja, secatrizada. Quero-te imagem alegre, esquecida em alguma gaveta velha do coração. Quero-te cozido dentro de tua panela velha que faz tão visceral comida. Quero-te como sombra, inexistente cerca do trajeto desta vida.
Difícil é aceitar virtude
Erros são nada.
Escrito por Camile Spring às 17h54
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|