Adagas, baratas e a vida
Sinuosa estrada onde a lei suprema é a contradição de sentidos, tal qual houve nunca acidente. Fígados dilacerados são decorrência de um coração partido pelas adagas que voam viciadas nas cidades de São Paulo, Guadalajara, Olinda, Rabat, Santarém, Bordeaux e em qualquer outra que faça parte do globo terrestre, uma indelicadeza.

Adagas da Autoridade, cegas do princípio ao fim; Adagas do Padrão, extermínio em massa; Adagas da Burocracia, golpe baixo, utiliza o mesmo conceito da tortura chinesa. Adagas da Hipocrisia, procedem do fervor da burrice, arma poderosíssima! Adagas do Poder, desencadeiam um processo macabro de mutação genética, mas o tormento vem depois.
É a mesma coisa que escrever no escuro embalada por Madame Sinatra, ter a impressão de algum movimento no ar, acender a luz e dar de cara com a maior barata da Vila Madalena sobrevoando a minha alegre habitação. Com a família Jaca fora à comprar birita, restou-me pegar um produto maligno intitulado Raid Ação Total! e persegui-la corajosamente até seu desfalecer. Incrustada entre o almofadão guatemalteco e o antigo móvel da biblioteca de mamãe, jazia el cucaracha, (masculino, pude sentir) resistente como todos neste lar. Ocorreu-me que se tratava de um membro refinado da Jacolândia, que sob forma miserável veio cumprir sua missão de barata-vaso-ruim. Nancy gritava aflita na caixa de som, motivo de meu nervosismo post mortis. Lembrei-me de Kafka, que me despertou para os labirintos e limites da realidade.
O terceiro ser que ocupava o quarto na companhia de sonhos aperreados do finzinho da última madrugada, estava silencioso.
Como la muerte, hemos de callar siempre. La libertad es mayor que nuestros nudos, que nos los hacemos como locos para fingir plenitud. Todavía no me voy, pero me quedo ansiosa por un raro momento de soledad. Ahora me tengo que ir, Jane´s Addiction ya suena por la casa, mis amores me llaman en la orilla de la puerta, Jane Says para mi cuerpo salvarme, un poco de vino blanco helado que baila con el calor para me recordar de la vida como una noche de verano, como todas esas que nos son regaladas. Muchas gracias, vida.
Escrito por Camile Spring às 00h02
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