Depois de nada, tudo é depois
Rimas me acompanham no cárcere de palavras. Prisão em fonemas, ball and chain nos insuportáveis versos além da canção. Fisgadas sinistras que encrustram pedras no coração.

Depois do dia do Palhaço, 1º de outubro de 2006, depois que a tripulação chama de volta todos os estupradores da nação, Fernando Collor, Paulo Maluf, José Serra, cai o avião. Depois de trinta.mil.reais. ornarem a faixa da Miss Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, depois da mediocridade histórica em tanta CPIzza, depois de burocratas limparem a bunda suja do Pitta, depois da Opus Dei ser aclamada pela classe média paulista, depois de tantas vidas perdidas pela supremacia televisiva, depois dos quatrocentos e noventa e três mil, novecentos e cinqüenta e hum votos gentilmente cedidos ao Clodovil aka Nazista, depois de (Acéfa)lebridades virarem o hit “exótico” da campanha populista, depois de milhares de depois permanecerem impunes na era da burrice, sou anarquista.
Rimas me acompanham no cárcere de palavras. Prisão em apenas um tema, ball and chain conduz aos riscos de uma vida feliz. Livre de todo dilema, rimas que deixam de ser um solitário xilindró. A vida é nada.
Escrito por Camile Spring às 19h02
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