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Desconstruir a Existência


Se marginal, se herói. Cuidate baculejo do coração

Au, oi, u. Não devemos deixar surgir muitas palavras. Não hemos de pendurar nossas bocas sob nossos atos, sempre gaiatos. Deixe cair os sons, deixe cair seu tronco sobre minhas pernas arrodilhadas. Pela janela, a queda nos suga à superfície, os sons conotam normalidade ordinária nos extratos do coração. Faz-me favor deixar de lado essa maneira eufemista, antagônico heroísmo feminista.

 

Eu desapareço no seu nome

Mas você deve esperar

Em algum lugar pelo oceano

Por destroços de um barco

Se marginal.

 

Não vês? Fodam-se todos os cavalos de pau dados por meus freios. Esquece. Diga lhe que tudo é possível, contratempo de corações partidos, entre peitinhos, teoremas e abismos. Não adormeci, mas Tom Waits enterrou Alice em algum lugar dentro de mim, como se cavasse horas em meus sonhos conscientes, tumba de todas as nossas correntes.  

 

E as lágrimas no meu rosto

E o gelo na tua bebida

Põe as mãos nos ponteiros do relógio

Como foi que o oceano quebrou o barco?

Se herói.

 

Nossos quadris foram encarcerados depois daquele baculejo desvairado, subida na Ladeira das Dores pelo lado. Campo de maçãs coloridas pelo rosto, toda vontade de uma vida instigada por um moço. Retorce lágrimas que embalaram Gaudí no amanhecer de nosso leito, autorização eterna para mutilar meu peito.

 

Vou-me, mas o largo sorriso volta às maçãs.



Escrito por Camile Spring às 15h16
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Fim de feira, faca certeira: Sangra Vermelho um ponto final

"Ontem lembrei de ti"

Rosto que surge no eterno breu de olhos fechados
quando o ponto de partida fica para trás.
vira ponto final, passado largado jaz.



Que por las ganas de amolecer dentro de tua mão desconhecida
A mesma que mais bela existe depois de sua longa corrida
Veja, pois.

Raiva-se tinha de mim, porque vieste soltar seus demônios dentro do meu jardim?

Chora agora indelicadezas que se esvaem com o tempo
como a feira que termina mais cedo
fede e me deixa sem pastel, que medo.

Mas antes vai até a cozinha
esfaqueia tua mão
Outra etapa que tens sozinha
praga de dores, susto de cão

Vermelho jorra no teto bestialidades para trás. Vermelho da cama que abriga um corpo sozinho, mas sereno a beira de um cais. Vermelho pinta-me vestidinhos e colore os sonhos de um rapaz. Vermelho de uma boca, demônios de nunca mais.

 



Escrito por Camile Spring às 12h56
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