Se marginal, se herói. Cuidate baculejo do coração
Au, oi, u. Não devemos deixar surgir muitas palavras. Não hemos de pendurar nossas bocas sob nossos atos, sempre gaiatos. Deixe cair os sons, deixe cair seu tronco sobre minhas pernas arrodilhadas. Pela janela, a queda nos suga à superfície, os sons conotam normalidade ordinária nos extratos do coração. Faz-me favor deixar de lado essa maneira eufemista, antagônico heroísmo feminista.
Eu desapareço no seu nome
Mas você deve esperar
Em algum lugar pelo oceano
Por destroços de um barco
Se marginal.
Não vês? Fodam-se todos os cavalos de pau dados por meus freios. Esquece. Diga lhe que tudo é possível, contratempo de corações partidos, entre peitinhos, teoremas e abismos. Não adormeci, mas Tom Waits enterrou Alice em algum lugar dentro de mim, como se cavasse horas em meus sonhos conscientes, tumba de todas as nossas correntes.
E as lágrimas no meu rosto
E o gelo na tua bebida
Põe as mãos nos ponteiros do relógio
Como foi que o oceano quebrou o barco?
Se herói.
Nossos quadris foram encarcerados depois daquele baculejo desvairado, subida na Ladeira das Dores pelo lado. Campo de maçãs coloridas pelo rosto, toda vontade de uma vida instigada por um moço. Retorce lágrimas que embalaram Gaudí no amanhecer de nosso leito, autorização eterna para mutilar meu peito.
Vou-me, mas o largo sorriso volta às maçãs.
Escrito por Camile Spring às 15h16
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