Bailarina Estraçalha o Tempo. Grita junk, canta Elis
A bordo de um navio com o relógio estraçalhado, timing sempre equivocado.
Pane na cabeça: Pula da cama, abotoa os quadrinhos, pega o violão e desaparece nos ensaios de clareza.
O dia em que ele teria ido,
O dia nunca poderia ter aparecido.
Diz-me leve, me pega, me abre, me olha, me cheira, me beija, me mata, me deixa.
Revoga-me, como o carcará e aquele enorme martelo à mim regalado para estilhaçar o tempo e deixar magníficos encontros jogados aos cacos pelo chão. Pisa e corta os pés, bailarina sangrando gira no palco, dança pra viver. Eterno asco.
Alguém dá uma nota no piano, junk sem dono. Reflexo de Elis Regina no cangote grita o hino da saga femme des Arbres. “Quem dicerrar a cortina da vida da bailarina, há de ver cheio de horror.” Será?
Não, tudo mentira. Que la guapa esa baila con todo que quiere, y ya no quiere nada. El reloj esta roto, como la muñeca enforcada en las manos de la nena. El reloj se queda roto, la muñeca, muerta.
Bailarina sem-vergonha gira voa sangra ri roda-gigante entre vestidinhos, sonhos e curtas.
Escrito por Camile Spring às 12h33
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