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Desconstruir a Existência


Antropotic-tac-tic-tac des Cirque Délinquants

Eu-se jangadeira remasse mescalina
Sóbria, verde como o sol daquele dia
Sonho de Arapiuns-madeira no braço
(Reflito ao canto do leito, a marginal)
Molhada pra matar sede de cangaço



Escrito por Camile Spring às 01h08
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III - Painting the streets in whiiite: O fim da tinta e dos gritos

Não sinta o que não tem vontade nem motivo. Isso tudo já passou, ultrapassou e hoje é uma enorme bobagem, a nega é outra nega. Salva pelo mago, impressionante costura nos profundos arregaços do coração. A volta por cima clichê de todas as mulheres muito fudidas que sacodem a poeira depois da infinita seca nos sertões da alma. Irrigação empírica, enquanto o outro lado superficionou tudo que sentia. E Foda-se. Muito. 

A mesma mesa que um dia servira de apoio para a pegada desesperada atrás das costas femininas, longe da cidade, do mundo ou de qualquer lugar palpável serve hoje para alimentar sua família de virtuoses lampejantes. Senta, olha, lembra e "Paint the streets in Whiiiiiite". E Foda-se. Pra sempre.

O ano da sinceridade passou, e com ele, seu amor. Pobreza da porra na alma, cara. Depois da primeira verde manhã (da cor do drinks, não?) em seu apartamento rolando no chão "repeat" "repeat" "repeat" a Roulette daquele SOAD regalado. A letra dessa música é como chiclete de quebra cabeça e a canção é de tirar águas de todas as janelas da alma que não passam com o ano da sinceridade. Nem dançam conforme a música. I have NO problem that I can not explain (...) Surras labiais e toda aquela insanidade encaixada no tapete. O amigo dele saiu correndo e o dela caiu da moto. E Dá-lhe Foda-se.

Um dia a tal figura perguntou-lhe o que esperava em um homem. Ela abriu o sorriso sem muito pensar e urrou " independência a la cubana, sabedoria samurai, força de mulher, humor de palhaço, sexo eterno sem pudor e alguma musicalidade. CADÊNCIA. A chave pra tudo."

Frida Kahlo se chamava Madalena, sabia? Quando ela abriu os olhos estava diante da enorme tela "Dos Fridas". Tão familiar com a imagem se sentou à mirar aquela imensidão de sentimento. "Puxa vida, é isso. Essa mulher que sempre admirei e idolatrei me fez enxergar a verdade." ô madá. Duas - uma por um fio. A outra segurando sua parte amada e respeitada por Rivera. Seu macho. As duas de mãos dadas. "Eu, se existisse seria o elo entre essas mãozinhas preciosas de Madalena". Céus. Depois de muito matutar a respeito de sua nova descoberta, a mulher saiu. Saiu andando atrás de flores  e encontrou uma bela margarida. A margarida tinha o sorriso mais sincero que já poderia ter riscado em pensamentos. Vem cá. Cabelos curtinhos em formato redondinho, olhinhos claros, boca bem feita. Nariz fino, vestidinho balançando.

De um lado pro outro, de um lado pro outro.

O balançar do vestido daquela flor "RACISTAS OTÁRIOS NOS DEIXEM EM PAZ" bombando na caixa do salão e muita santa maria no ar constituíram a primeira cena de liberdade efetiva sem vaca nem moralismos manjados chatos-para-caráleo de todas as noites almejadas.

Tudo passou para se tornar história conto ficção mal elaborada que nem paciência resta apenas abrir uma porta que não tem maçaneta e nem existe mas deve ser arrombada apedrejada bombardeada incendeada pelos estrondos vocais bloodbrothêrnicos e fechada para balanço em seguida só isso

PASSA-SE O PONTO.

E Chega de tanta asneira.



Escrito por Camile Spring às 23h44
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