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Desconstruir a Existência


II - Painting the Streets in Whiiite: A mal-dicção da Vaca-fantasma

Foi fruto do espaço, do medíocre intervalo de tempo e da falta de vergonha na cara a enorme colheita de dores nos estômagos e rasgos ninja que abalaram o cataclisma sísmico nos mil e um corações da desertora mais presente do mundo.

Ah, vá. 

Antes disso houveram episódios de outras músicas. Outras bandas. Foi estranhíssimo. Simplesmente não deu vontade na mulher de ir lá fazer o OITUDOBOMTUDOEVC. E ademais: Ela estava saltitante demais com os dread-locks daquele bofe, enlouquecida, quando virou a cara naquele bar lá para avistar a vaca e seu longo mergulho em águas negras por um segundo. A cara do cidadão que ali avistou já não estava tão familiar. Tudo na seqüencia-câmera-lenta de um olhar profundo para o chão. Fantômas tudo-que-eu-quis Ad Sanguis Minimus Corpus Animus

Arrastão, nego, salvou. Elis, minha rainha. "Vem, vem na rede João, pra miiiiiiiiiim". E foi. A riqueza de outros corpos.

Mas COMO era bom acordar com AQUELE gosto na boca, depois de tanto se mover. Os ombros não são frágeis. Indubitavelmente FORTEs. Nem fracos. 

Tudo se esvaiu aos gritos deftônicos. O Astor Piazzola já virou motivo de chacota nas rodas dos sonhos dele. É fácil falar dela, - a fortaleza - (segundo ele mesmo) Mas, e ele? A vacona das divinas tetas sem sua matula insuportável nutriria sentimentos positivos em relação a sua desertora? Difícil.

Na verdade se escondia desses pensamentos. Tudo ficava mais fácil sem aquela história. Como quem não queria nada mal dizia tudo. Acreditou estar melhor sendo - desagradável - (como ela mesma disse) Não há definição melhor para um fantasma, é perfeito:

.PALAVRAS MAL DITAS SÃO MALDITAS.

**Mas ela não ajudou. Afinal, é uma desertora que brinca de regar infinitos Saaras de flores musicais dentro de si. O "...aaaaaaay que bonito é volaar, yyyyaa las dos de la mañana..." nunca cessou.



Escrito por Camile Springui às 18h49
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I - Painting the Streets in Whiiiite: O Homem-vaca e a Donzela desertora

Ela sempre pensava nele como uma enorme vaca. Uma vaca dentro de um ovo, com uma estranha criatura nas costas. Nas costas por que aquela coisa lá não poderia estar em outro lugar. A esposa era "nas costas" demais. E engraçado, sempre que eles se encontravam a rapariga tremia o monstro mal-acabado. Ó. Ela se divertia horrores com aquilo, a cara de desespero da atual trepada de seu desafeto a mulher-nas-costas. ahahahahahah. (Entre intimidades, diga-se de passagem que chegou a pensar na tal moça quando seus dedos entrelaçavam a cintura labial do mundo vermelho dentro das cobertas. Vingança de falta de sensibilidade, mesmo não acreditando nela. Queria compreender para onde havia ido a vontade que era sua.)

De atual trepada foi casar, ó meu bom Santo Antônio. Casou-se o homem. Luxo que só ele poderia dar depois de tanto amor jogado por essa mesma janela. Bizarro, esses moços. Mas não teve problema quando ele a telefonou no meio da madrugada perguntando onde estava, se estava lá naquele buteco, que queria vê-la, a enorme vaca. Ela adormecida e absolutamente sozinha naquela casa amarela lhe disse "vai pra tua mulher" e tú tú tú tú... Depois nunca mais ligou. E quem pensa que a moça não ficou braba engana-se. Ela ficou emputecida com aquele desconfortável telefonema desprevinido e desprovido de qualquer vestígio da verita beleza entre eles, dos dois filhos da puta da história, com todo respeito às tão amadas e idolatradas mães.

"Ah apedrejador de coração, safado, um dia ainda tú vai morrer aqui dentro, cacete"
E morreu. Morreu, mas o maior problema era seu fantasma que de um jeito ou outro ficou presente na lembrança. Estranho. Vazio, sem preceitos nem valores.

"Fantasma sem casa, esse."

Melhor que isso, só dois disso. Segundo o grande romântico, "amor só é bom se doer", pode perguntar ao seu orixá, nego. É. Vida mais linda essa de fartura. Fartura de dor. De luz.

Tudo que ninguém sabia, nutra vontades, não faça planos e mate o fantasma. Silêncio. SHH!

Não foi a toa que ele passou na casa do irmão dela pra pegar um sossego antes da viagem de duas páscoas atrás, a vaca mereceu muito amor. Música foi culpada do encontro destas duas bestas dignas de tempo e história.
Música, inferno.

Antes:
A primeira entrada lá dentro dela foi ao som ensurdecedor de Jimi. A-meudeus. Que cadência. Que nascer do dia completinho.

E mais uma vez estavam ali pela música, no show com mais de 40 mil pessoas, que não foram suficientes para separar o desafeto. Foi com uma cara bem estranha, torta, meio sarcástica, que o homem reconheceu a donzela no meio da multidão - "Hein? Ah! OITUDOBOMTUDOEVC" - saiu correndo palá rápido adentrando o pogo como uma barata assustada. "Puta que pariu, até aqui nesse Guernica personificado eu dou de cara com esse bode, saco." (Bode não. Vaca, nega.) Que fatalidade infeliz, refletiu.

ahahah. Diablito: "Ele estava ansioso para esse show de merda" ahahahaha. Essa merdinha de banda americana, bando de bostas. Não acredito." - "POrra, mas também, né, quanto tempo se passou depois daquelas lágrimas no portão? O que você espera, satanás?

Camaleando a vida existe. Se não, perece.



Escrito por Camile Springui às 23h29
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