Não Paga Não Trampa Não Trepa: O Circo não pode parar na Ca(os)pital
cria.deseduca.corrompe humilha.estupra.mata
Com muito prazer vos informo que o crime em São Paulo está em ruínas:
Quarta-feira, 15:00 hrs - Vou almoçar com o Tatá e lá perto da avenida Angelica tem uns poliça guinchando carrinho de Hot Dog. Eu em meu nível destraído pelo bom papo não reparo. Tatá me chama atenção. Viro e avisto a rua em chamas. Desespero. Lamentamos e expressamos revolta. Nos despedimos. Subo a avenida voltando pro trampo e meus cansados olhos alcançam a Batida, fuga da labuta mais injusta deste pequeno mundo: O circo adentrando a rua arrastando barracos, lonas, chocolates voadores, caixotes, brincos, trapézios, anões, óculos, maquiagem, cadeiras. Os poliças brincando com Eternos palhaços, lembra ministro? Cara de Palhaço. Pinta de palhaço. Roupa de palhaço: Até o fim. Mas não pela mulher, não. Sobrevivência, pa cumê o pão duro que não seca a MANTCHEGA dos palhaços bêbados de Junio e Xico. Fico paralisada alguns momentos. Olho ao redor: cores estáticas pintam o céu da rua e a cara das pessoas-macarrão, a (mal) dita massa. Na redação, sento na silenciosa cadeira, ponho fones no ouvido e mergulho na rota turística dos infinitos desertos.
23:00 hrs do mesmo dia - Desço a Fernando Albuquerque em direção à Ibotirama, o buteco-jardim da Augusta. Na baliza flagro dois poliças em suas envenenadas motocas do povo mirando homens em busca de mulheres da vida. Deslizam em direção às moças e começam a se ocupar, ditando moraloidismos geriátricos aos senhores da eterna noite. Carros saem rápido do local. As meninas lamentam. Eu também. Me dirijo resmungando à mesa de Bibi Vestidinho. Assusto à todos dentro da noite-quebradeira em Sarajevo com essa fábula tão cotidiana e meu modo delicado de contrrrolar o tom de voz e a intensidade.
PODER extingüe o crime via anestesia visual quando perturba trabalhadores de rua no dia e na noite, enqüanto a violência brinca de boneca vodoo. Perigoso. Criminoso. Digno de extermínio de poliças.
PODER rouba meio de trabalho de quem nem trabalho tem. Afugenta sonhos.
Faz-me chata.
Escrito por Camile Spring às 02h26
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